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tudo dentro de mim, aqui
sádica imaginação
É o vento que me toca e me envolve Na falta de sua pele colada na minha É o cigarro que encontra meus lábios Na falta dos seus, tão marcantes Como um girassol na noite, Fico desnorteada sem sua luz, desnutrida sem seu calor, desolada sem sua presença Pelas minhas memórias eu ando Tateando peças do seu sorriso, Farejando seu cheiro, Ouvindo sua voz, E com essas partes de você eu monto memórias de momentos que nunca existiram, Me deleitando no prazer que é imaginar nossas lín
Ingrid Camargo
1 de ago.
te devolver para a estante
por que me entristeço com a ideia de sua partida,se você nunca foi minha? como um livro na biblioteca, todos podem ler, tocar e usufruir de você e como mais uma, eu só pego emprestado por um tempo. mesmo não sendo meu tipo de leitura favorita, eu queria ter você, no fundo, porque sua capa é bonita porque é um título popular porque é o tipo de leitura que te indicam. mas como um livro que não está à venda, eu só pego emprestado, leio algumas páginas, imagino algumas cenas, e t
Ingrid Camargo
4 de mai. de 2023
meio-termo
Eu sou um grande meio termo Um livro de uma categoria que ainda não existe Um objeto que não tem uma única finalidade Estou longe de ser a melhor, e longe de ser a pior Não sou pobre, nem rica Não sou feia, nem bonita As vezes sou calorosa, as vezes sou fria Mas sempre sou quem sou Sou eu As vezes no primeiro lugar As vezes no último Mas em todas as vezes, sou eu Com o dom de ser tudo E não ser nada Posso brincar de ser o que eu quiser, como eu quiser Estar no palco Ou me cam
Ingrid Camargo
20 de nov. de 2022
untitled
parece que estou vazia quando foi que me perdi no meio do caminho? que esqueci minha essência? que esqueci de quem sou? quando foi que abriram esse buraco no meu peito? esse que parece impreenchível… impreenchível, inesquecível que me atormenta noite e dia parece que estou vazia porque não consigo sentir mais nada: o amor que aquecia meu coração o frio na barriga da paixão a ansiedade do imprevisível a preocupação dos dias parece que estou vazia mas estou apenas assistindo a
Ingrid Camargo
26 de mai. de 2020
post title
Ela apagou o cigarro Com a esperança de apagar todos os seus problemas Mas eles continuaram ali Ela tirou da bolsa um frasco de creme E o passou com pressa, a fim de mandar aquele cheiro forte embora Seus olhos naturalmente lacrimosos Escondiam devaneios e perguntas tão profundas quanto o maior abismo conhecido Mesmo com tanto movimento ao seu redor Observando a noite ali, calada Ela estava tão sozinha quanto a lua no céu nada estrelado Sendo consumida pelas perguntas que tal
Ingrid Camargo
1 de fev. de 2020
mendiga do amor
prazer, eu sou a mendiga do amor! estou o tempo todo para lá e para cá procurando uma lasca uma migalha um resto que seja de amor de aceitação ou às vezes até de atenção como um animal de rua, me mostro tentando ser notada, me alimentam com o resto de alguma merda me chutam tentando me afastar mas dias depois, eu corro atrás esperando por mais. como uma pessoa egocêntrica, eu me maquio da melhor forma faço as unhas visto o melhor e meus pés doem por usar sapatos que me deix
Ingrid Camargo
29 de dez. de 2019
Quando eu te quero - mas não te tenho
Olho para o telefone Mas nenhuma notificação aparece No entanto, Na minha mente você me enlouquece Tento relembrar O sabor do seu beijo Mesmo sabendo que nada passará desse ensejo Tateio te procurando na cama Busco sua voz no silêncio Mas realmente Não há nada aqui além do meu desejo Com as palavras eu rimo Querendo na verdade rimar com a sua língua Dois minutos e a gente delira E já somos como imãs Pena que é só na minha mente.
Ingrid Camargo
27 de dez. de 2019
Graduada em te amar
Eu queria ser a mulher dona das palavras mais lindas do mundo e inventora daquelas que ainda são imensuráveis, provenientes dos sentimentos mais profundos e súbitos que amassam até o último centímetro do meu corpo e da minha alma, para coloca-las em uma caixinha e te dar o melhor de mim. Eu queria ser capaz de contar todas as partes do meu corpo que arrepiam quando você olha no fundo dos meus olhos, e capaz de controlar o incêndio dentro de mim quando nossas bocas se encontra
Ingrid Camargo
16 de set. de 2016
Farsa demaquilada
Eu já não te amo mais. Na verdade, eu nunca amei. Em você, amor, tem mais coisa que me decepciona do que alegra, e a sobriedade que sua ausência me traz é suficiente para eu retomar a consciência dos meus atos que eram não impulsivos, mas inertes. Eu era tola e estava petrificada na inércia do teu charme, perdida em teu perfume, e masoquista pelas marcas que sua barba tão mal feita deixava na minha pele. Eu estava disposta a sofrer, cega nessa imensidão vazia. Mas aí eu acor
Ingrid Camargo
25 de abr. de 2016


Só deixa
se permita esquecer e deixa ir, deixa seguir o fluxo que foi destinado. sem culpa, sem dor. é só deixar sair que vai sozinho. tudo tem seu destino e suas razões; ver não é tão difícil: aceitar é pior. é só não recusar, vira de lado e segue seu caminho sem mal estar, sem agonia, dor ou remorso. tudo na vida se encontra por uma razão. se você já aprendeu a lição, deixe ir, deixe voar. o mais importante vai ficar dentro de você: a experiência de só deixar...
Ingrid Camargo
11 de mar. de 2016
Renúncia
eu renuncio essa dor, esse aperto no peito, essa agonia e pensamentos que me perseguem incansavelmente todos os dias, todos os momentos. eu renuncio meus sentimentos. porque nenhuma ponte conseguirá ser construída entre nós.
Ingrid Camargo
6 de mar. de 2016
amar o amor do desejo
quero amar cada um de seus defeitos, degustar cada beijo como se fosse uma raridade gourmet. quero me debruçar em sua calmaria, me jogar no mar súbito de sua furiosa bravura. e provar, de uma maneira ínfima, sua loucura de amar e desejar; e mais que isso: realizar.
Ingrid Camargo
24 de fev. de 2016
post title
ácida, com versos mais cortantes que cerol, crio uma saída do labirinto que é a vida fria sem a paixão platônica da poesia.
Ingrid Camargo
30 de out. de 2015
Divisão
e quando eu quero dividir a cama com você mas não posso eu lembro que dividimos o mesmo céu.
Ingrid Camargo
2 de out. de 2015
Eloquente saudade
sinto falta de sua boca carnuda beijando meus ínfimos lábios sem cor; de tua pele eu preciso, e o brilha dourado do sol refletindo em sua ânsia jovial me perco em meio às lembranças e já não sei mais o que é delírio e o que é verdade, mas talvez essa saudade eloquente que já nem cabe mais em meu peito seja apenas - e total - a vontade de te decifrar completamente.
Ingrid Camargo
25 de set. de 2015


post title
já nem consigo sentir o ar nos pulmões. é como se a única forma de sentir algo além da inércia fosse pelo chicote. pelas chamas do castigo, da saudade eloquente, dessa loucura tão masoquista, do sadismo selvagem que a Terra tem em nos queimar... a dor só acaba no lamento da cova, na solidão tão sentida mesmo no meio de tantos vermes ou no delírio vampírico escravizado e fraco é o sangue que corre é a veia que salta.
Ingrid Camargo
19 de ago. de 2015
Uma não-reação
eu nunca tive medo de ser rica. até hoje. hoje eu tenho medo de ter muito dinheiro e pouco sentimento. tenho medo de me tornar só mais uma reacinha superficial dessas que usam roupas sociais todos os dias para ir trabalhar, que chegam em casa com o pé estourado de bolhas e que tem de se maquiar para ficar "apresentáveis". tenho medo de perder toda a sensibilidade e até minha frieza de defesa. medo de digitar a senha do cartão e me trancar dentro do mundinho no meu carro impor
Ingrid Camargo
17 de jul. de 2015


Auto-retrato
sou freneticamente violenta, como tudo na minha vida. uma vivência agressiva e masoquista, presa nas grades maliciosas de uma sagacidade inexistente. intensidade e malevolência, são os materiais que tecem meu tempo, e meu tempero é o sal excessivo disfarçando tanta doçura. sou um beco sem saída, uma linha não-reta um verso sem rima...
Ingrid Camargo
14 de jul. de 2015
Jaula
a ansiedade é sempre tão expirada que me sinto entalada ao tentar controlá-la fico presa, enjaulada, mas sem nada para mostrar sem atrativos que levem ao delirar, sem alma para agradar.
Ingrid Camargo
1 de jul. de 2015
Ninguém errante
não há ninguém mais que seja capaz de ler estes meus versos tão errantes como você.
Ingrid Camargo
26 de jun. de 2015
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